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Inércia

Inércia. Acho que esse era o nome do que eu senti por algum tempo. Era como se eu estivesse anestesiada, como se nada mais fizesse diferença. Minha vida ia mudar, meus amigos, minha casa. Eu sentia um aperto toda vez que me perguntavam se era isso mesmo que eu queria, e de fato era, mas talvez eu não estivesse preparada pra uma mudança tão grande. Sempre me perguntavam e a resposta era sempre a mesma "lógico que é isso que eu quero, mas ainda espero pelos resultados".

Veio a lista. Por dentro senti um alívio gigante: "é aqui o meu lugar", mas mesmo assim, continuava a sensação de inércia. A tendência de continuar como eu estava, onde estava, porque nada fazia diferença, isso até ela chegar.

Ela chegou, olhou para os lados, para os móveis, paredes, cortinas, procurando qualquer coisa que lhe dissesse: "hey, eu já estive aqui". Nada. Respirou fundo e disse que não conhecia o meu lugar, não se lembrava de mim. Será? Um nó na garganta, pés sem chão. Será mesmo que ela não lembrava mais de mim? A inércia tinha acabado. Respirei fundo e a única coisa que me vinha em mente era: "Não, por favor... alguém me diga que é mentira!".

Os dias passaram, e todas as histórias voltavam à mente pra me mostrar que, mais uma vez, eu não podia fazer nada. Mais uma vez eu ia esperar pelos resultados, não os mesmos que me fizeram ficar, mas aqueles que passei a vida toda esperando. Esperar pela notícia que eu nunca quero ouvir, e eu ali, de mãos atadas.

Eu vi como fui idiota em pensar que nada faz diferença, porque faz. Eu sempre caio pelos mesmos motivos, e estes são também os motivos que me fazem levantar e seguir em frente.
Eu perdi o chão quando ela disse que não lembrava o que ela significava pra mim, mas levantei outra vez quando me chamou pelo nome. É sempre assim. Eu caio e levanto, e enquanto ainda tiver motivos, não ficarei no chão.