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Mostrando postagens de 2013

ama

E a cada dia que um pouco mais
amava
um pouco menos
doía

de dor de amor não sofria
que amor de sofrer é dor só
sem amado

dolorida solidão
já não fazia ferida

cicatriz
curada

e a cada dia
passado
mais uma cicatriz
esquecia
um pouco mais
amava
curando a dor que um pouco menos doía

Aponta pra fé e rema

Sou melhor com papel e caneta do que com a fala, e por isso permaneço escondendo no meu coração as coisas que ficam presas na garganta quando a boca não abre. Hoje reencontrei meu bloquinho de coisas nunca ditas. Abri numa página qualquer e li:
"Você me mostrou a calmaria quando eu só conhecia furacões que me arrastavam e depois me deixavam no chão."
Arranquei a página e te mandei pelo correio com um bilhetinho colado:
"Nunca te disse mas hoje te escrevo. Aponta pra fé e rema. Essa tempestade logo vai acabar"

Das nostalgias I

Estava eu lá em pé no ônibus lotado, toda suada e melequenta, quando de repente olho pro lado e vejo o amor dos meus 12 anos de idade. Ele era o cobrador. 

Tentei ler o crachá pra ter certeza, mas não consegui. Fiquei uns minutos com aquela sensação nostalgica das primeiras paixonites enquanto uma senhora reclamava do calor para o motorista e alguém esbarrava em mim com uma sacola cheia de compras que me fazia perder o equilíbrio. Acabei me convencendo de que era ele mesmo. Ele não mudou muito desde aquela época, tirando que agora o cabelo é curto e tem menos espinhas. Ainda é bonitinho.

Acho que ele também me reconheceu quando me viu passando pela catraca, mas a única coisa que ele me disse foi:
- Você tem 20 centavos?