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Mostrando postagens de Setembro, 2009

A varanda

Ele estava sentado na varanda, olhando para a praça, como fazia todos os fins de tarde, há vários anos. Às vezes, alguém senta ao seu lado e ali conversam durante muito tempo, mas na maioria das tardes, ele fica ali sozinho, com um olhar distante, talvez pensando nos dias em que ele ficava naquele mesmo lugar, de mãos dadas com aquela com quem dividiu toda uma vida.

Há alguns anos a cadeira dela está vazia. E durante esses anos, ele sente a sua falta. A metade vazia da cama e do armário, uma xícara a menos na mesa do café, uma aliança a mais na mão esquerda, e o passinho lento que não se ouve mais pelo assoalho. Os retratos espalhados pelas paredes, o sorriso que não é mais o mesmo. Sobra tempo e espaço, falta um pedaço.

Difícil saber no que ele pensa, mas é olhando pra ele, ali, sozinho no canto na varanda, é que a gente percebe como é bom, ao mesmo tempo que é também difícil, ter alguém de quem você sinta falta.

É bom ter aquela pessoa do seu lado sempre, saber que você a ama e que…
Um vazio no peito e uma luz lá dentro, piscando feito um letreiro:
O-L-H-AE-U A-Q-U-I
O pior é ver que aquela sensação está voltando, sem motivos.
Talvez seja medo de ficar sozinho no escuro
Talvez seja só o medo de perder.
Mas a questão é:
Ninguém perde o que não possui.